Felizes os deuses


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Feliz de quem esquece.
Feliz de quem vive e não se sabe felicidade.
Viver com sentido é melhor que viver feliz. Quem disse?
Vidas felizes sem sentido, ou, mas sem sentido.
Vidas infelizes com sentido, ou, e com sentido.
Vidas felizes cheias de sentido, ou, pretensamente cheias de sentido. Duvido. Quem? Quando e onde?

Com a vida não se brinca, nem com a felicidade.
A vida é preciosa e divina, a felicidade se leva muito a sério;
Já o sentido é leve e obstinado ao descompromisso, com ele se brinca e se brinda o cotidiano.
A vida tem predicados religiosos, a felicidade tem roteiro e etapas definidas;
O sentido é periférico e irresponsável, não tem endereço nem rótulo.
A vida tem pronomes e adjetivos recatados, a felicidade tem advérbios e particípios normatizados;
Sentido é todo coloquial, informal, quase crasso.
A vida é astrologicamente entendida, a felicidade tem livros autômatos e best-sellers;
O sentido é subjetivo, pouco empírico, beira o indômito.
A vida é criança, assim sagrada, a felicidade é adulta, logo lógica;
Sentido é adolescente, então, irresponsável e temperamental, oras esquizofrênico.
Vida é espaçonave orbitando a lua, felicidade é trem bala rumo ao asco-íris;
Sentido é bicicleta à caminho de parque em dia de chuva.
A vida é manhã de sol forte, felicidade é tarde de brisa;
O sentido é madrugada sem lua…

***
Na arena dos deuses humanos duelando seus saberes afim de definir o modus operandi para seu mundo, instauro-se o assunto sobre o paradoxo. “Um disse tempestivo, que a Vida só vale se Feliz. Outro feroz, que Felicidade não existe, só Tristeza. Outro argumenta com ar incólume, que se não há Felicidade, Tristeza também não, apenas vida e vão-se os dias. Algum lá com voz gasta e trêmula, ser Feliz é tão banal quanto estar Infeliz, ao passo que o Feliz é alienado às intempéries da Vida, e vive à comprar espelhos pra si, diferente do infeliz que vive atento ao mundo e invariavelmente aprende a buscar sentido ao viver, mesmo que permaneça infeliz”. Os deuses não pertencem ao tempo, aliás nem percebem, mas a discussão segue pela eternidade, sem pressa…

A maioria dos homens lá permanecem no tormento, enquanto os deuses tentam lentamente decidir um modus vivendi.

Sem sentido, sem felicidade, sem vida.

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