A TENDA SOMOS TODOS


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Não sou seu mais antigo acampante, também pudera;
Cheguei como quem passa em 2009, e fiquei;
Eu tinha 23 e era fevereiro, décimo primeiro dia do mês;

Igreja grande, cadeiras símplices;
No púlpito um senhor de suspensório e voz rouca, sábio Ari;
Fazia sol e dela imanava seu calor irreverente, sua matinal peculiaridade;

Ao redor nenhum rosto conhecido, um peregrino que achava ali casa;
Só agorinha lembro e reconheço lá a amiga-menina, Nelô;
Eu e o caderninho na mão esmiuçando o sermão, santa escola;

E nos stands ao fim e fundos um acampa ali sim, sem hesitar assinei;
Como quem pede um afago na tenda eu fui abraçado, ganhei mil irmãos;
Ela me deu acolhida num silêncio e choro e riso e júbilo, Jesus denovo abracei;

Apelido nós não escolhemos e do meu que lá colocaram, com ela eu compartilhei;
Logo bem antes do acampa o Rick me pôs na “barraca”, e da “tenda” me afeiçoei;
Foi aí que a tenda me disse que se com ela seguisse, guarida não mais faltaria;

A tenda é uma grande teia, quem nela encosta pode não mais se soltar;
Pensei teria mui amigos mas com o Ed aprendi, contaria numa ou duas mãos;
E nas trombadas e estradas num destino nunca escrito, caminhei com gente bendita;

Foi lá que conheci o Rubinho o Juninho a Any o Tubarão o Zé ranzinza a Ferigolli o Digão o Marcão o Tadeu o Doug o Jé o Gu a Marina o Biel a Fe Kivitz o Vitão o Rick o Carica o Rich o Brega e a Brega o Liebert o Pelica a Naty a Pri a Paty o Da foice as Orichio …, assim tudo junto e misturado sem vírgula;
Descobri que a mão até podia ter mais dedos, pelo menos por um tempo divino;
Fiz amigos pra vida toda, quais vi em meu casamento lá na “antiga tendinha”;

Já hoje em despedida descubro nela um signo, uma escola que some fora mas fica cá dentro;
Escrevo com voz amargada das memórias donde me reformei, mas ela eu levo comigo;
Lembro das noites cansadas com esfihas do Habibs e coca, semanas jovens nela produzidas;

Memoro a profundidade de tudo ali aprendido, com o Ed o Claudio o Ari o Fabricio o Levi o Mario o Joabe e agora o Andrey;
Sou grato pelo pão diário que dos domingos ganhei, das costas o fardo tirado lá com fervor eu cantei;
E com os braços erguidos e o irmãos reunidos, meu coração livre achei e no coro Maranata roguei;

Lá aprendi a ressignificar sem paredes uma fé sem fronteiras, o mundo é minha igreja;
E quem se vê meio ao circo não leva de santo o profeta, aprende na lona coberta que não há sã palhaço;
Lá a missa dominical sempre se fez marginal e sem grego, caminho pra que todos riam a reza;

No sonho que também é meu sonhamos a mudança, mas não sonhamos deixá-la;
Como se ela fosse patrimônio tombado de nossa comunidade, que fosse com a gente;
Contratemos uma nave superpotente que a carregue para o novo endereço montada, mas como?

E nesta despedida descobri que minha história recente se confunde com ela, suas estacas estendidas;
Nela meu filho à Deus apresentei em seu último domingo, 11 de agosto de 2013 última cena da peça;
Descobri que a tenda não é lona, é gente, é a gente, os alunos, é o que fomos e somos;

A tenda sou eu e minha história nela e com ela, e as outras milhares de histórias de tanta gente que por ela passou e se refez;
Resolvido, a tenda vai com a gente;
Vamos então levá-la pra “outra Ibab”, por que a tenda somos todos!

Thiago Lima – Barraka
SP. 15-16/AGO/2013
postado no dia 16/08/2013 via https://www.facebook.com/thiagolima85/posts/10201693148481263

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