Uma amizade lhana*


[21h00 da sexta-feira dia 10/05/2013]

 

Foi lá pelo ano de 2009, despretensiosa e inesperada ela aconteceu. Como toda madura e honesta amizade, e nem sabíamos, desconfiávamos ou programamos ela, coisa boa.

Juninho1

 

Inicialmente acho que parecíamos bem diferentes e nossa amizade ninguém poderia supô-la provável. Você, sãopaulino, baixinho e jogava na zaga mas era metido a atacante, tendencioso a gordinho, estudante de teologia e trabalhava na igreja (ibab) onde nos conhecemos. Eu, estudante de engenharia, iniciava na área técnica numa refinaria da Petrobras na época, alto, corinthiano, magro, centro avante “habilidoso” (até parece) e briguento. No inicio foi uma relação hierárquica e eu estava chegando naquela igreja, você era funcionário lá mas servia como voluntário nos serviços à juventude enquanto fazia seu seminário, começando a me aproximar do grupo tivemos os primeiros contatos, você com cabelo tipo ‘coroinha’, óculos e mais magro. Nosso hoje amigo em comum Fabrício  nos liderava, por lá fizemos muita coisa juntos, mas isso são outras histórias e não vem ao caso aqui.

Agora de minha memória tem outros fatos, marcos que solidificaram nossa amizade: “ir de acompanhante antes de sua cirurgia no joelho lá no Hospital São Camilo da Pompéia, depois disso ir dirigindo o OGRO MÓVEL (corsinha verde) até a cidade de sua família, Cerqueira César, quase perdermos nossos notebooks no Graal, e poder comer o bife acebolado mais saboroso de sua mãe. Dividir o mesmo apartamento por um tempo ali no Brás”, noites de conversas profundas e aprendizados eternos onde a amizade naturalmente brotava. Foi também neste ínterim que fortalecemos outros laços, alguns amigos como Moíses Souza, Ruben Chaparro, Any Ribeiro e Alex Fajardo vieram e ficaram para sempre.

Viagens ao Borel (RJ), subidas e descidas no morro juntos várias vezes, carregamos caixas, penduramos panos, brincamos com crianças, ajudamos, conhecemos e dignificamos  muita gente boa, lugar onde nos descobrimos medíocres urbanos e paulistanos, e sim também amigos onde já sabíamos o que outro pensava só pelo olhar. No Borel também vi sua primeira viagem  “missionária” (acho) com a hoje sua esposa, Christiane Romano, onde vocês também testemunharam meu “grande romance (amor) ideal”, e como romance ideal não existe, lá também se acabou. Lembro de sua formatura na Teológica Batista de Perdizes, das correrias da JUBESP, das agendas apertadas do USINA21, dos cafés na ALESP, e sim lembro do primeiro ‘enduro’ no primeiro acampa IbabJovem (2009) onde aí sim realmente conheci o “futuro pastor” então seminarista Reinaldo Junior quando participamos da mesma equipe (G8), objetivo, altruísta, paciente, líder, facilitador. Lembro do dia que me acidentei na Radial Leste de moto e o primeiro nome que veio à mente: “liga para o meu amigo Reinaldo, número XXXX-XXXX” sem vacilar e decor, e você realmente veio prontamente, passou a madrugada comigo e não pestanejou ou reclamou, viu e ouviu meu ombro sendo colocado no lugar. Foi você quem buscou minha noiva e levou até a igreja, e fui eu quem pude ter o privilégio de te pegar no hotel e levar até a igreja e depois levar você e sua recém-esposa pela madrugada na Avenida Paulista até o hotel após seu casamento, e depois você retribuiu nos deixando neste mesmo hotel em nossas “pré viagens nupiciais”, Blue Tree Paulista.

Essas são algumas das coisas que me saltam agora à memória sobre nossa amizade, e após estes anos, descobri que as diferenças que nos supunham dificilmente amigos, hoje se inverteram ou completaram, viraram detalhes que comprovam que “amizade não é espelho”. Os times de futebol diferentes servem apenas pra manter aquela rivalidade saudável entre amigos, nossas profissões estanques servem pra complementar necessidades, experiências e dificuldades, eu coopero com a organização (chatice) e você com a visão (bom humor). Descobrimos que somos parecidos em algumas coisas como: “pais separados, crescimento sem a figura paterna, presença marcante da mãe, infância pobre, descêndencia nordestina (da boa), mentes teológicas a serviço da juventude do Reino e outras coisas que sabemos e mais ninguém precisa saber”, por que se todos soubessem não seriamos amigos, talvez colegas complacentes, mas não amigos.

Sei e respeito que alguns preferem presentear com objetos, e é legal, mas também mais fácil geralmente. Resolvi (com entrega atrasada) como faço pra poucos, eternizá-lo ainda mais em minha memória nestas palavras biográficas de nossa amizade. É o meu singelo coração aberto aqui para você alguns dias após o seu dia, seu aniversário amigo.

Um texto, um amigo, um afeto à você, Reinaldo Vieira de Lima Junior. Parabéns Juninho, sou contente em ser seu amigo!

Minhas palavras e memórias,

 

Thiago Lima

SP – 14/05/2013, 17h20.

 

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*lhano
(espanhol llano, do latim planus, -a, um, plano)
adj.

1. Que mostra sinceridade ou franqueza = FRANCO, SINCERO
2. Que tem simplicidade no trato = SIMPLES, SINGELO
3. Que demonstra amabilidade = AFÁVEL, AMÁVEL
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Uma resposta para “Uma amizade lhana*

  1. Mano, estou sem palavras para agradecer o lindo e sensivel texto (sem ser gay), obrigado pela amizade sincera de sempre. Sigamos juntos no caminho do Reino! Abs,

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